Deixe um comentário

Mas o que diabos vêm a ser o mar?

por Alexandre Greco, no facebook

Mas o que diabos vêm a ser o mar? Apenas aquela imensidão do qual precisamos, às vezes, de ajuda para simplesmente contempla-lo? Sempre me fiz essa pergunta, porém nunca me interessei por resposta alguma. Hoje tende vir à mente sempre possibilidades de respostas: o mar é abrigo de outra dinâmica de existência, de outra perspectiva de tempo. E sempre nos parecemos encantados em descobrir, aliás, diria invejosos em admirar as levezas atemporais dos pequenos e, sobretudo, grandes animais que passeiam livres entre continentes alheios a nós. Mesmo sendo um clichê, repito; o Oceano é indomável. Inclusive, ele é capaz de nos devolver o lixo que os fazemos consumir.

Dois eventos me marcaram sob a relação que temos com os mares, uma foi minha ida a Fernando de Noronha, e outra, a possibilidade de assistir ao documentário dos realizadores Jacques Perrin e Jacques Cluzaud. Experiências reveladoras sob como somos tão predatórios, sempre nos colocando no topo de uma cadeia onde na verdade, deveríamos estar fora. Nossa mania de ocupar, explorar, modificar e consumir é extremamente nociva à própria existência. Não somos capazes de nos contentar com a harmonia perfeita das coisas, se não colocarmos o dedo na cobertura do bolo, mesmo sendo por pura curiosidade, não nos contentaremos.

O Aquário que será construído na orla de Fortaleza é prova disso. Claro, o discurso sobre especulação imobiliária, mais valia urbana, turismo equivocado, enfim, tudo isso é importante, porém, o que mais me deixa inquieto e indignado, é essa noção de expor animais para nossa contemplação predatória, como se fôssemos preserva-los por estarem ali, presos, limitados a vidros e olhares curiosos. Os aquários serão representações fictícias de uma diversidade ilusória. Repito o que questiono em todas as rodas de conversa: por que não pensamos em conhecer o oceano lá, in loco, por que temos que traze-lo a terra?

Acho que estamos à deriva, perdidos em nossa necessidade de consumir tudo a nosso modo, atropelando os limites da natureza, ajeitando o mundo as nossas ridículas existências.

Por que, parece ridículo, mas por que não cuidamos de nossas costas, por que não estudamos pontos de observação de animais marinhos sem ter que tirá-los de seu habitat, por que não cuidamos do lixo que jogamos no mar. Por que não cuidamos para que os animais que mostraremos ser “em extinção” não morram enrolados em redes bem aqui do nosso lado? Aposto que seria bem mais barato.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s