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Email ao ombudsmam do O Povo, sobre péssima coberta do jornal no caso Acquário

Caro Paulo Rogério,

Escrevo como leitor do Jornal O Povo e como cidadão do Estado do Ceará. Mais uma vez, precisamos recorrer ao senhor impulsionados por um forte sentimento de desrespeito e indignação. O tratamento que o jornal, especialmente a editoria de Economia, vem dando ao caso Acquário Ceará é inadmissível. Deixando a suspeita, inclusive, de que há interesses econômicos envolvidos.

O senhor bem sabe, assim como deveriam saber todos os jornalistas que trabalham nessa empresa, que o princípio da imparcialidade deve ser perseguido por todo texto jornalístico. Quando se trata de um fato que envolve um projeto da magnitude do Acquário Ceará, merece ser tratado com muita seriedade, com apurações aprofundadas e mesmo investigações. Mas o que vemos sistematicamente são matérias que apresentam dados oficiais como verdadeiros, opiniões oficiais como únicas, em uma clara campanha de defesa de um projeto que não consegue sustentar ele mesmo. O jornal tem estrategicamente contribuído para a desinformação, quando deveria fazer o contrário.

Se não é o caso de publuicar informes publicitários, o editor de economia deveria, no mínimo, publicar os textos como artigo de opinião e assinar. O que não podemos é assistir a essa campanha publicitária disfarçada de jornalismo com evidente objetivo de confundir a opinão pública e assim deixá-la vulnerável à má conduta dos gestores do estado. Acreditamos no jornalismo como experiência fundamental à democracia e é por essa razão que fazemos mais esse apelo para que o senhor insista na discussão pública sobre a má cobertura do jornal no caso.

Na matéria publicada hoje, 26/03,  sob o título Área não tem interesse arqueológico, o jornal deveria ter deixado claro para o leitor quais os procedimentos exigidos por lei e porque razões o Ministério Público recomendou à Setur a suspensão da obra, ao Iphan o embargo caso a Setur insistisse em prosseguir e à Semace a suspensão da licença até que essa esteja completa. Ao invés disso, tenta convencer o leitor de que o
“breve” adiamento da obra deve-se a caprichos do Ministério Público.

Tanto as leis como as instituições públicas merecem outro tratamento! Também não é possível que não haja outra fonte especializada e interessada nessa discussão. As únicas fontes da matéria são o próprio secretário de turismo e o técnico (ir)responsável pelos estudos incompletos, ambos interessados em contestar o MPF.

Na matéria publicada no dia 23/03, intitulada Para evitar conflito, Governo do Estado suspende obra, como evidente demonstração de insatisfação com o fato, o editor opta por publicar um quadro com “perguntas sem respostas”. Mais uma vez tenta levantar suspeitas sobre os interesses do MPF, desviando o foco do assunto. As perguntas sem respostas, que esse jornal não contribui em esclarecer, são outras e insistentemente estamos tentando fazer a população perceber.

Sem mais, aguardamos que o senhor prossiga questionando publicamente o jornal, cobrando uma postura mais ética e responsável na cobertura do caso Acquário Ceará. A atuação da empresa é de interesse público e sabemos que sua conduta é constantemente avaliada pelo leitor, que encontra na função do ombudsman um recurso de defesa.

Cordialmente,
Enrico Rocha

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